Até logo!

novembro 17, 2008

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Por enquanto, as atualizações do Olhar Virtual vão parando por aqui. Agradeço aos leitores que acompanharam o blog e participaram das discussões propostas – seja em comentários publicados no site ou falando pessoalmente comigo. Em breve, este blog deve ser reformulado para seguir sua missão de refletir sobre o papel do jornalismo frente às novas possibilidades de comunicação. Até a próxima!

 

Flagrante digital

novembro 16, 2008

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Não faz muito tempo que escrevi: “em plena era digital, onde sobram celulares e há sempre uma câmera pronta para disparar seu flash em cada esquina, é natural que o furo de reportagem esteja mais próximo do cidadão comum do que de qualquer redação”. Na ocasião, me referia à desvantagem que os jornais têm em relação aos leitores na cobertura midiática de situações inesperadas.

 

Mas não é só o conteúdo jornalístico que caracteriza um flagrante digital. Recentemente, adolescentes de Joaçaba, no Meio Oeste de Santa Catarina, filmaram o momento em que estupravam uma jovem desacordada no banheiro de uma festa. Tão estúpida quanto o próprio estupro foi a idéia de publicar o vídeo no YouTube. Não demorou para que alguém denunciasse e o caso fosse parar na polícia. O feitiço virou contra os feiticeiros. Viva a era digital!

 

 

Jornal de microfone

novembro 16, 2008

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Por tudo o que já comentei aqui no Olhar Virtual, não é novidade que o principal jornal de Joinville tem apostado muito em seu site nos últimos meses. Desde que o novo portal foi lançado, uma série de vídeos produzidos pela própria equipe de A Notícia foi ao ar na internet. Apesar de servirem como um forte chamariz, pois dão mais dinamismo à cobertura do jornal, os vídeos dispensam grandes investimentos.

 

As imagens são captadas digitalmente por uma simples handcam, que custa cerca de mil reais. O conteúdo é editado rapidamente em um software específico para isso e, logo depois, a montagem final é disponibilizada no portal. Como a redação não tem um estúdio de gravação, todos os vídeos são produzidos sem locução em off – como é de praxe nas publicações da web.

 

A novidade é que agora a equipe responsável pelo conteúdo online conta com um microfone. O equipamento é relativamente simples e barato, como outro microfone qualquer. Mas vai permitir maior flexibilidade nas gravações dos vídeos, além de captar o áudio dos entrevistados com uma qualidade muito superior.

 

O microfone estreou nessa matéria de Taísa Rodrigues, que cobria as exposições na 70ª Festas das Flores. Desta vez, a repórter foi discreta e preferiu não fazer “passagem”, mas logo deve aparecer em cena. Ao que parece, pouco a pouco os conceitos empregados pelo telejornalismo também serão adotados na web. No caso do jornal A Notícia, essa transição pode ser ainda mais natural. Afinal, é um veículo da RBS.

 

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Em um post recente, demonstrei meu desconforto com a postura arcaica de alguns pesquisadores quando o assunto é o futuro do jornalismo diante das novas tecnologias. Na ocasião, mencionei um artigo do professor Venício de Lima, que servia de exemplo para ilustrar meu ponto de vista. Como é fácil apontar o defeito, pensei que seria justo procurar alguém que servisse como um exemplo contrário. E nem precisei ir muito longe para isso.

 

Durante o Encontro de Professores, realizado no Bom Jesus/Ielusc, o professor Jacques Mick aproveitou o microfone para repensar os princípios do jornalismo. Nas palavras dele, “é preciso abandonar o modo de pensar dominante no campo, que é reverente à tradição e toma a experiência profissional como critério único de verdade”.

 

Na avaliação de Jacques Mick, o jornalismo deve ser concebido como um conhecimento do presente e não apenas como um fazer. Talvez a dificuldade em entender a profissão por esse prisma se explique pelo lugar visivelmente secundário que a teoria continua a ocupar no campo da comunicação, como apontou o próprio professor. Como as faculdades têm priorizado a prática em detrimento da teoria, receio que o cenário não deva mudar.

 

Leitor repórter – parte 3

novembro 16, 2008

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Como a edição online do jornal A Notícia tem norteado parte dos meus posts, vou tomar o site como referência novamente, só para não perder o costume. O assunto, pela terceira vez em pauta aqui no Olhar Virtual, é a contribuição dos leitores naqueles espaços chamados de Leitor repórter ou Repórter cidadão. A adoção de material enviado por amadores ainda é controversa, como também já discutimos aqui no blog, mas de vez em quando essa fórmula dá certo.

 

Na semana passada, enquanto Joinville era castigada pela chuva novamente, uma onda de leitores resolveu sair da toca com a câmera nas mãos para registrar e relatar estragos e alagamentos na região. Em questão de horas, dezenas de fotos foram enviadas para a redação. Nunca o jornal havia recebido tanto conteúdo informativo de seus leitores num único dia.

 

Chuva em Joinville pode não ser novidade, mas uma chuva de fotos exclusivas na caixa de e-mail da redação ainda é algo raro. Portanto, não foi com surpresa que vi o material ser aproveitado com destaque numa galeria de imagens exclusiva de leitores. Se não me engano, algumas fotos foram aproveitadas para a publicação impressa também.

 

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No post anterior, comentei de passagem que o centenário jornal Christian Science Monitor deixará de ser impresso e aparecerá apenas na edição online. A data da migração está marcada: abril de 2.009. Assim como a revista US News & World Report, a decisão de explorar apenas o mercado da internet surgiu como uma saída para reduzir custos.

 

Na década de 1.970, o Science Monitor vendia cerca de 220 mil exemplares diariamente. Hoje, o call-center da empresa trabalha arduamente para garantir que as vendas passem de 50 mil. Que o jornal está mal das pernas, ninguém nega. Mas poucos sabem que a publicação também é patrocinada por uma igreja, a First Church of Christ, Scientist, de Boston.

 

Num primeiro momento, podemos concluir que nem o financiamento divino tem salvado o jornal impresso. Mas, se lembrarmos que uma considerável leva de jornais populares têm expandido suas tiragens, veremos que a situação ainda não chegou ao patamar de um apocalipse.

 

Nunca neguei meu entusiasmo com a participação das novas mídias no campo da informação. Apesar de me considerar conservador, não sou caxias a ponto de ignorar o inevitável desaparecimento dos jornais diários num futuro próximo (ao menos nos moldes atuais).

 

Por essas e outras, não entendo a relutância que alguns pesquisadores têm de encarar a situação com os pés no chão. Em um artigo publicado recentemente no Observatório da Imprensa, o professor Venício de Lima é mais um que procura argumentos para criar uma atmosfera de catarse em volta dos jornais impressos. Para mim, esse assunto já esgotou. É hora de virar o disco.

 

Migração para a web

novembro 16, 2008

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A notícia é da semana passada: US News anuncia migração para a internet. Trilhando o mesmo caminho do jornal Christian Science Monitor, a US News & World Report anunciou a decisão de priorizar sua versão online. A proposta é tornar a revista em uma editora digital com o conceito de “multiplataforma”.

 
Em um memorando o presidente da revista, Bill Holiber, e o editor Brian Kelly demonstraram estar otimistas com as mudanças que estão por vir. “Para todos vocês que trabalharam tão duro para tornar esta transição possível, digam adeus à Web 2.0 e dêem boas vindas ao Jornalismo 5.0”

 

Apesar da aparente empolgação com o mercado virtual, ninguém nega que a migração para a web foi impulsionada mesmo pela queda nas vendas da revista, que vinha perdendo leitores gradativamente. Aqui no Brasil, um dos exemplos de migração mais bem sucedidos é a Gazeta Esportiva. O tempo passou. Alguém lembra como era a Gazeta no papel?

 

O que é um blog?

novembro 16, 2008

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Veja a resposta completa nas palavras do poeta Pedro Biondi.

É ponte
É fonte
É toque
É sinapse
É sinopse
É TOC
É psicose
É catequese…

 

Momento nostálgico

novembro 12, 2008

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Vamos voltar dois anos no tempo. Em dezembro de 2.006, o jornalista Rodrigo Vianna, na época repórter da Rede Globo, pediu demissão e compartilhou com seus amigos uma carta-desabafo. Sua decisão foi motivada por questões políticas, é claro. Mas havia um algo a mais que também justificava a despedida de Vianna. Na carta, suas lamentações denunciavam seu desgosto com a impessoalidade do jornalismo atual.

Em um trecho do texto, Rodrigo Vianna compara o ambiente de trabalho que encontrou na década passada com aquele que encarava todos os dias: “Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha – nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente… Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces… Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo… Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.”

Confesso que não sei por onde anda Vianna. Provavelmente deve ter se encaixado em mais algum veículo de ambiente asséptico e higienizado. Embora não tenha vivenciado aquele jornalismo movido a café e máquinas de escrever, sinto uma lacuna aberta por não ter feito parte desse passado. Pode ser pura nostalgia, mas acho que o glamour das antigas resiste. Pelo menos no imaginário popular, jornalista ainda é aquele sujeito boêmio, bebedor, sempre disposto a acender mais um cigarro antes de pegar uma pauta e dar no pé.

Provérbios digitais

novembro 12, 2008

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Durante uma navegação sem rumo, atraquei por acaso no Blog Que Ninguém Lê. Tão descontraído quanto o título da página era o último post publicado: Ditados na Era Digital. São frases toscas, de efeito, que escondem um fundo de verdade inegável. Se você é daqueles que perde tempo em frente ao computador, provavelmente não vai ignorar a sabedoria moderna dos provérbios digitais. Eu gostei mais da última. E você?

1. A pressa é inimiga da conexão.

2. Amigos, amigos, senhas à parte.

3. Antes só, do que em chats aborrecidos.

4. A arquivo dado não se olha o formato.

5. Diga-me que comunidades freqüentas e te direi quem és.

6. Para bom provedor uma senha basta.

7. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.

8. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.

9. Em terra off-line, quem tem discada é rei.

10. Hacker que ladra, não morde.

11. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.

12. Mouse sujo se limpa em casa.

13. Melhor prevenir do que formatar.

14. O barato sai caro. E lento.

15. Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem vírus anexado.

16. Quando um não quer, dois não teclam.

17. Quem clica seus males multiplica.

18. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.

19. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.

20. Quem não tem banda larga, caça com discada.

21. Quem nunca errou, que aperte a primeira tecla.

22. Quem semeia e-mails, colhe spams.

23. Quem tem dedo vai a Roma.com

24. Um é pouco, dois é bom, três é chat.

25. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.

26. Há dois tipos de pessoas na informática. Os que perderam o HD e os que ainda vão perder.

27. Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se copia. E depois se cola.

 

Analfabetismo digital

novembro 12, 2008

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Lembro do tempo em que meus professores falavam: “No ano 2.000, quem não souber usar um computador vai ser considerado analfabeto”. Sem dúvida, a profecia se baseava nos exageros cinematográficos que antecipavam as novidades da virada do milênio. Mas, exageros à parte, meus professores tinham certa razão. Não é à toa que hoje se fala tanto em analfabetismo digital.

O enraizamento da cultura digital não afetou apenas o jornalismo, como tanto se fala aqui no Olhar Virtual. Se uma empresa quer aparecer, precisa ter um site. Se o sujeito X não tem um e-mail, ele está fora da rede. Se o Google não encontra, é sinal que não existe. O vídeo abaixo resume em pouco mais um minuto tudo o que venho discutindo por aqui. No vídeo abaixo, sem exagero, podemos afirmar que as imagens valem por mil palavras.

Termômetro digital

novembro 12, 2008

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No webjornalismo, a “importância” de uma matéria pode ser medida por acessos. Nesse caso, os principais critérios de relevância da notícia, como sua exclusividade e o interesse público, são rebaixados em detrimento de conteúdos pitorescos e inusitados. Existem até algumas regrinhas que ditam o trabalho de quem alimenta o conteúdo online de um jornal: só ganham a capa do site as matérias com boas fotos e textos sucintos.

Não se trata de um boicote aos textos extenso e trabalhados. Na esfera virtual, como se sabe, o conteúdo imagético fala mais alto, justificando essa lei da aparência, que é praticamente universal. Desde que o novo portal do jornal A Notícia foi lançado, a equipe responsável pelo site faz um controle diário das matérias mais lidas nas últimas horas. Pelo bem e pelo mal, as estatísticas não mentem – as matérias mais lidas têm em comum boas imagens, acontecimentos bizarros ou chocantes.

Há poucos dias, alguns “causos” publicados no site ganharam destaque na edição local e até chegaram a ser reproduzidos em portais de âmbito nacional. A perereca na lata de pêssego e o aparecimento de jacarés no Centro de Joinville foram parar na página Globo.com. O portal da Globo também repercutiu a presença do Batman na Câmara dos Vereadores, sem falar em outras notas que também repercutiram nacionalmente.

Ainda uma novidade para os joinvilenses, o portal de A Notícia deixou de ser uma mera extensão do jornal para ganhar o status de termômetro da edição impressa. A fórmula é simples: se teve audiência no site, merece destaque no jornal do dia seguinte, com direito a suítes, vídeos, enquetes e outras formas de interatividade.

 

O coração de um jornal

novembro 9, 2008

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Publiquei apenas um vídeo desde que o pontapé inicial do Olhar Virtual foi dado. Pois vou postar o segundo filme para exibir imagens de um invento que ficou esquecido no passado: a linotipo. Desconhecia o papel das linotipos na expansão do jornalismo até pouco tempo, quando descobri a história de Nelinho. Já falecido, ele foi um dos primeiros homens a “diagramar” o jornal A Notícia.

 

Operar uma linotipo era produzir um jornal artesanalmente, escolhendo a dedo as caixas de texto e as tipologias a serem utilizadas. Lembrei de Nelinho esta semana, quando me deparei com uma linotipo que até hoje o jornal A Notícia mantém em sua guarda. É impossível passar por aquela máquina e não sentir a nostalgia de um tempo em que o jornalismo dispensava essa assepsia atual. Não se pode pensar o futuro da profissão sem relembrar o passado.

 

Operando uma linotipo: o processo é apresentado por Bill Malley, um linotipista norte-americano que, assim como Nelinho, já faleceu.

 

Informalidade informativa

novembro 9, 2008

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Percebi que meus posts têm sido um tanto impessoais por aqui. Fruto de um projeto acadêmico, a linguagem do blog é incomodamente objetiva, direta, sisuda, burocrática. Confesso que o tema também não proporciona muitas divagações, mas ainda são assuntos que eu gosto. Não foi à toa que os escolhi.

 

Por hora, vou me permitir ser um pouco menos esquemático (pelo menos nesse post). Desde que comecei a produzir para o blog, pude relembrar o quanto é bom escrever com liberdade, sem imposição de linguagem, imagens e caracteres. Quando atualizamos um blog, parece que tudo é válido: devaneios, opiniões, críticas, alfinetadas, enfim, divagações.  

 

O https://olharvirtual.wordpress.com nunca foi um endereço muito divulgado. As estatísticas até contam alguns acessos, mas como a participação é mínima, sinto que escrevo para um público imaginário. Porém, esta sensação está longe de ser ruim. Minha vaidade não precisa de audiência e nem se mede em comentários. Escrever sem responsabilidade é um exercício prazeroso, ainda mais quando não existe um público para ser agradado.

 

Aqui, nunca reviso meus textos antes de publicá-los. Se não houver quem os leia, também não haverá alguém que aponte algo de errado. Talvez apenas os assuntos sejam premeditados. Escrever o que vem à cabeça sem apelar para o processo de edição parece uma forma inconsciente de tentar ser honesto comigo e com o meu leitor. Meu leitor imaginário.

 

Censurando o leitor

novembro 9, 2008

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Vou dar continuidade ao papo sobre os blogs do jornal A Notícia contando um caso que pegou muita gente de surpresa. Em dezembro, o Grupo RBS vai promover o primeiro Joinville Mundo Pop, um evento regado à música de apelo popular nos mesmos moldes do Planeta Atlântida. O jornal A Notícia, sem dúvida, será o maior divulgador da festa.

 

A primeira menção ao evento partiu do blog Orelhada, que já ganhou popularidade entre os fãs do rock na região. Como era de se esperar, quando a programação de shows foi divulgada, as reações não foram nada animadoras. Uma seqüência de comentários depreciativos questionava a qualidade do evento, fazendo acender o alerta vermelho para quem devia apoiar a festa.

 

“E agora? Vamos apagar os comentários?” era a pergunta que quebrava a cabeça de muitos na redação. Assistindo ao dilema, fiz a minha parte: disse que seria bobagem censurar as reações do público. Na minha opinião, uma atitude dessas não combina com a atmosfera de um blog e só traria mais polêmica. 

 

Não acompanhei o desenrolar da discussão, mas acredito que o bom senso tenha predominado. De qualquer forma, o despreparo para lidar com esse tipo de repercussão me lembrou o comentário da leitora Priscila Noernberg. Para ela, o profissional da comunicação “não se sente confortável – e humilde – o suficiente para aceitar críticas e, principalmente, para discutir as pautas e o processo de produção da notícia”.

 

Passado esse caso, tive um motivo a mais para concordar com a leitora, especialmente por ser tratar de uma situação em que os interesses econômicos falam mais alto. Agora, uma aparente contradição: logo deve brotar um blog exclusivo do Joinville Mundo Pop. Será que vai dar confusão?

 

As caras dos blogs

novembro 9, 2008

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Prometi que falaria mais sobre os blogs mantidos pela equipe do jornal A Notícia. Promessa é dívida, então vamos lá… Atualmente, o site lista 21 blogs com atualização freqüente, e outros cinco já encerrados. Alguns blogs não são, necessariamente, atualizados por profissionais do jornal joinvilense. Quando o tema é pertinente para todos os veículos do grupo, como as eleições americanas, cada jornal “acolhe” o blog em sua página.

 

Quase todas as figuras conhecidas do jornal também têm seu espaço virtual. Os colunistas Jefferson Savedra e Cláudio Loetz praticamente reproduzem suas colunas no site. Adri Buch, colunista social, procura atrair seu público com posts interativos e promoções esporádicas. O repórter Edson Burg e o editor Rubens Herbst falam sobre cinema e música, buscando ir um pouco mais a fundo do que permitem as páginas do jornal.

 

Até quem quase nunca aparece no jornal ganhou espaço com a introdução dos blogs no site. O revisor ortográfico Aldo Brasil, por exemplo, fala justamente sobre aquilo que mais entende: a língua portuguesa. Por outro lado, o editor de diagramação Fábio Roberto comenta um esporte que só pratica quando está bem longe do jornal: o surfe. O cartunista Pablo Mayer, é claro, destila seu humor no blog com as mesmas tirinhas que dão mais graça ao jornal.

 

Eu, particularmente, percebo que nem todos sacaram qual é a verdadeira proposta de um blog. Alguns entendem o espaço como uma extensão do jornal, onde possam “jogar” tudo aquilo que não foi impresso. Talvez um pouco mais de prática faça nascer aquela informalidade que só um blog consegue produzir. Mas é compreensível: para os jornalistas, treinados como idiotas da objetividade, romper com o tradicional ainda é um caminho difícil a seguir.

 

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Desde que a RBS assumiu o controle do jornal A Notícia, a rotina dos profissionais da casa mudou completamente. Logo nas primeiras semanas, alguns funcionários foram demitidos, outros foram contratados e houve até quem pedisse demissão por iniciativa própria. A equipe se transformou e há quem comprove que a estrutura melhorou.

 

Mudanças estruturais e editoriais à parte, prefiro comentar o que mudou no dia a dia dos profissionais da redação. Da noite para o dia, eles passaram a trabalhar em um jornal com vários “irmãos”. Ou seja, todo o conteúdo noticioso que a equipe de A Notícia produz passou a ser compartilhado com os outros jornais da rede. E vice-versa.

 

Na prática, essa integração facilitou a vida de muita gente. Como? Vamos aos exemplos: se o governador do Estado concede uma entrevista exclusiva a um jornalista do Diário Catarinense, no dia seguinte as mesmas declarações também vão estampar as páginas de A Notícia, com a assinatura do mesmo repórter.

 

Da mesma forma, um registro fotográfico do jornal O Pioneiro, de Caxias do Sul, também pode ser aproveitado em Joinville, se for de interesse na região. Como todos os jornais do grupo RBS são impressos em formato tablóide, algumas reportagens podem ser reproduzidas na íntegra por todos os veículos do grupo dispensando até mesmo o trabalho de diagramação.

 

Antes, a editoria de variedades do jornal A Notícia penava para encontrar na internet uma boa foto da Madonna, por exemplo. Agora, a equipe pode buscar fotos da musa pop no Telescope, o programa oficial de compartilhamento fotográfico dos jornais da RBS. Nesse caso, o caminho é certo: provavelmente as melhores imagens estarão no banco de dados do jornal Zero Hora, o maior e mais antigo do grupo.

 

Convergência entre jornais

novembro 9, 2008

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Já falei que a convergência entre as mídias deve imperar no jornalismo do futuro. Isto porque a tecnologia digital dissolveu o monopólio de mídias como o jornal de papel e a televisão. Não significa mais trabalho, mas também não quer dizer que os profissionais da comunicação vão trabalhar menos. Resumidamente, o conteúdo pode ser produzido uma única vez para ser veiculado em plataformas diferentes.

 

Mas tem outra forma de convergência que também vem ganhando força: a “união” entre veículos concorrentes. Em outras palavras, o monopólio da comunicação também é uma tendência a ser observada nos próximos anos. Como está cada vez mais caro fazer jornalismo, os pequenos jornais, revistas e veículos de outros segmentos têm sucumbido à ação dos grandes grupos.

 

Um exemplo recente foi a compra do jornal A Notícia pelos gaúchos do Grupo RBS, numa operação milionária concretizada há cerca de dois anos. Com o novo veículo, a Rede Brasil Sul passou a comandar oito jornais diários no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, centralizando a origem da informação nos dois estados.

 

Além da RBS, há pelo menos outros 18 grandes grupos de comunicação em expansão no Brasil. O blog Televisionado fez uma lista com detalhes sobre a estrutura de cada um desses gigantes da informação. Em se tratando de mercado, os grandes têm ficado maiores ainda. Mas, na prática, o que muda na vida dos jornalistas? Falaremos sobre isso no próximo post.

 

Jornalista 2.0

novembro 1, 2008

Seguindo a linha das postagens mais recentes, novamente coloco as inovações tecnológicas no centro da discussão. O mais novo rótulo atribuído à figura do jornalista na era digital tem um título auto-explicativo: jornalista 2.0. No embalo da web 2.0, novas ferramentas surgiram e já estão sendo apropriadas pelos profissionais da comunicação.

 

Já comentei que algumas redações pelo mundo estão com as operações “on” e “offline” integradas e produzidas para todas as mídias. Outras engatinham nessa direção, buscando preservar a qualidade de seus produtos. O desafio é claro: produzir conteúdo em tempo real com a mesma qualidade da informação que será publicada na manhã seguinte.

 

Abaixo, publico um vídeo produzido por alunos do curso de jornalismo 2.0 da Fundação Knight Center. O filme faz um passeio pelas transformações no fazer jornalístico e aponta os dilemas enfrentados pelos jornalistas diante desse novo cenário. Para quem ainda está perdido com tanta novidade, vale a pena conferir os diferentes pontos de vista compartilhados nos depoimentos gravados.

 

Como comentei na postagem anterior, a publicação de conteúdo enviado por leitores nem sempre passa por um filtro antes de ir ao ar. Desde que a prática se tornou comum entre os portais de internet no Brasil, não faltam casos de sites que deram espaço para informações equivocadas ou reproduziram conteúdos comprovadamente falsos oriundos de internautas mal-intencionados.

 

A tragédia com o avião da Tam, comentada anteriormente, foi um divisor de águas no jornalismo participativo brasileiro, tanto pela variedade de informações compartilhadas quanto pelos erros cometidos. Cristiane Prizibisczki, repórter do site Portal Imprensa, faz uma interessante reflexão sobre a participação de amadores na cobertura jornalística, tendo como base justamente a tragédia em Congonhas.

 

No artigo “Tragédia Vôo 3054: Jornalismo cidadão ganha espaço na cobertura do acidente com avião da TAM”, Prizibisczki ressalta os dois lados da moeda. A repórter lembra que todos os grandes portais de internet abriram espaço para a contribuição de internautas naquele episódio, mas faz bem em recordar que o volume de informações publicadas com procedência duvidosa foi alarmante.

 

Na época, a maior lambança ficou por conta do portal Uol, um dos primeiros a contar com colaboração popular. O site publicou uma foto enviada por um internauta não-identificado, que supostamente teria flagrado um corpo caindo do prédio em chamas. Reproduzida com destaque na internet, logo a imagem seria reconhecida como uma fotomontagem. Quando tudo é publicado no ritmo dos acontecimentos, vale o ditado popular: “a pressa é inimiga da perfeição”.

 

Leitor repórter

novembro 1, 2008

Jornalismo participativo, jornalismo cidadão, repórter cidadão, leitor repórter. As definições são várias, mas todas tratam do mesmo assunto: a colaboração espontânea de leitores no conteúdo informativo dos grandes portais da internet. A publicação de textos, fotos e vídeos enviados por internautas em sites de informação tem sido uma prática cada vez mais habitual nos últimos anos.

 

Em geral, o conteúdo é enviado por pessoas comuns, sem formação em jornalismo, que contribuem com algum material que o jornal não tenha. Como é de se esperar, o conteúdo enviado por leitores normalmente beira o amadorismo, mas pode ser considerado precioso, dependendo de sua relevância e ineditismo no momento.

 

Quando ocorreu a tragédia com o avião da Tam no aeroporto de Congonhas, por exemplo, uma enxurrada de fotos, vídeos e relatos de pessoas que estavam nas proximidades do acidente chegaram às redações de internet. No calor do momento, parecia muito mais viável apostar na exclusividade do material enviado pelos leitores do que esperar por informações colhidas com a equipe de reportagem.

 

Em plena era digital, onde sobram celulares e há sempre uma câmera pronta para disparar seu flash em cada esquina, é natural que o furo de reportagem esteja mais próximo do cidadão comum do que de qualquer redação. Os grandes jornais já tomaram consciência: é impossível “competir” com tantos repórteres-amadores de plantão. Por isso saíram do trono e abriram espaço para mais esta forma de participação. Você, leitor, conseguiu um registro exclusivo? Então é sua hora de compartilhar a informação!

 

Interatividade

outubro 31, 2008

Esta semana, o portal do jornal A Notícia abriu dois chats para os internautas. Um deles com o colunista Jefferson Saavedra, que discutiu o resultado das eleições em Joinville. O outro foi com o técnico da Tigre/Unisul, Giovane Gávio, que falou sobre a estréia do time na Superliga Masculina de Vôlei. Por mais que as sessões de bate-papo ainda sejam desconhecidas pela maioria dos leitores, chats com figuras de dentro e de fora do jornal não são exatamente uma novidade nos últimos meses.

Assim como os blogs e os vídeos com comentários de repórteres e editores, os bate-papos online têm a missão de dar mais personalidade ao conteúdo publicado no site. Como a moda ainda não pegou por aqui, a audiência dos chats está longe de ultrapassar os dois dígitos. Quando o campeão olímpico Giovane assumiu o teclado, apenas 17 internautas participaram com perguntas. Mas a eficiência do bate-papo como forma de interação também não pode ser ignorada.

Às vesperas das eleições no segundo turno, os dois candidatos ao governo de Joinville reservaram meia-hora na agenda eleitoral para responder aos leitores do Portal AN.Tanto Darci de Matos quanto Carlito Merss foram bombardeados por perguntas de internautas, e puderam responder às questões diretamente, sem qualquer forma de intermediação do jornal. No fim de cada sessão, os candidatos ainda receberam uma lista com as perguntas que não puderam ser respondidas durante o período.

E o que é preciso para iniciar um chat no portal AN, por exemplo? Apenas um computador que esteja conectado à internet, em qualquer lugar do planeta. Carlito e Darci participaram em um dos computadores da redação do jornal. Giovane Gávio preferiu responder às perguntas no computador da Toca da Fera, sede da Tigre/Unisul, pois contava os minutos para realizar treinamentos com a equipe na quadra. Mais simples do que o rádio e menos trabalhoso do que a televisão, o chat é uma ferramenta pronta para ser explorada na era do jornalismo digital. 

O atrasador de jornal

outubro 30, 2008

 

Nas postagens mais recentes, comentei como o jornalismo ganhou em dinamismo com o advento das novas tecnologias, especialmente aquelas que surgiram na cola da internet. Com a necessidade de exibir o “fato no ato”, as redações passaram a exigir mais agilidade de seus profissionais, ainda pouco adaptados às ferramentas do “tempo real”.

 

Eu, particularmente, sempre enxerguei com bons olhos as inovações tecnológicas e sou entusiasta no que se trata da aplicação de novas tecnologias na prática jornalística. Desde que o computador se tornou inseparável na rotina de um repórter, os jornais exploraram novas formas de pesquisa, interação, linguagem e, acima de tudo, ditaram um novo ritmo ao modo de vender informação.

 

Mas, confesso, hoje em dia a profissão não tem a mesma essência de quando uma caneta no bolso e um bloco de papel eram suficientes para fazer qualquer acontecimento ganhar forma de notícia no jornal. Houve um tempo em que a insubordinação do jornalista a rotinas industriais era vista como heroísmo pelos colegas, que gostavam de debochar uns dos outros chamando-se mutuamente de “atrasadores de jornais”.

 

Já que toquei no assunto, vou contar um episódio protagonizado por Caco Barcellos – um célebre atrasador de jornal. Era a terceira noite de trabalho dele como redator do “Jornal da Tarde”. No intervalo do expediente, Barcellos saiu para tomar café quando viu uma multidão aglomerada no hotel em frente. O repórter não resistiu e foi ver o que era: um homicídio tinha acabado de acontecer. Com a notícia à sua frente, ele só voltou à redação à 1h30.

 

Mesmo com o furo na ponta do lápis, Caco Barcellos ouviu a bronca: “Você está louco, seu irresponsável!”. A edição do jornal estava quase fechada, mas imediatamente o repórter sentou-se em frente à máquina de escrever e bateu uma matéria de página inteira sobre o homicídio. Daquele dia em diante, ele ficou um mês no Jornal da Tarde atrás de notícias.   

Notícia x entretenimento

outubro 26, 2008

 

Comecemos pelo óbvio: nem tudo o que um jornal publica é jornalismo. Na internet, essa constatação é ainda mais aparente. Portais de notícia costumam turbinar seu conteúdo informativo com doses generosas de fofocas, fotos curiosas, vídeos variados e até jogos online. Vivemos a era do infoentretenimento, em que as matérias “sérias” confundem-se com o trivial.

 

No portal mais acessado do Brasil, o Globo.com, é fácil perceber esse mix entre notícia e entretenimento. Às 21 horas de domingo, no dia 26 de outubro, a chamada “Nana Gouveia pára praia com ajeitadinha no biquíni” liderava as notícias mais lidas na seção “entretenimento”, assim como a matéria “Motociclista morre ao bater em hidrante na Imigrantes” encabeçava a lista da seção “notícias”. As duas chamadas estavam lado a lado.

 

Se os próprios jornalistas têm dificuldades para definir o conceito de notícia, o que esperar do leitor-comum diante dessa miscelânea de informações fragmentadas que se encontram na internet? A televisão já foi endemonizada como um veículo inventado para distrair quem senta à sua frente. Agora, a bola da vez é o computador. Fica a pergunta: a internet forma, informa ou deforma?

 

Um convite à leitura

outubro 26, 2008

 

Conforme comentei aqui no blog, desde que o novo portal do jornal A Notícia foi lançado, há alguns meses, a rotina dos profissionais da redação mudou. Além das atualizações minuto a minuto, que exigem dos repórteres mais dinamismo e agilidade, o site também “abriu as portas” da redação para o leitor, proporcionando novas formas de interatividade com seu público.

 

Como isso ocorre? Não há nada muito complexo. Nos blogs, por exemplo, repórteres e editores “dão as caras” ao falar sobre assuntos variados, seguindo o modelo informal praticado por qualquer blogueiro na esfera virtual. É como se o veículo ganhasse novos colunistas, que também opinam e, nesse caso, abrem espaço para que o leitor concorde, discorde e se manifeste da forma que bem entender.

 

Mas os blogs não são o único canal de comunicação interativa com o leitor. Aliás, pretendo dar mais atenção a esse tema em um outro momento. Por enquanto, prefiro destacar a atuação dos editores desde o lançamento do novo Portal de A Notícia. Se antes eles trabalhavam apenas nos bastidores, agora podem falar diretamente com o público, em vídeos que destacam o conteúdo de um determinado caderno ou editoria.

 

Por exemplo: Genara Rigotti, editora do caderno Anexo +, comenta toda semana sobre os principais acontecimentos das novelas. O editor de Economia, Vandré Kramer, participa com análises sobre o cenário econômico e político no Brasil e no mundo. Outros editores também se mostram em frente às câmeras para falar sobre esporte, cinema e demais assuntos que diariamente preenchem as páginas do jornal. Além de aproximar o leitor de quem faz o jornal, alternativas como essa reinventam a forma de fazer jornalismo.

 

 

Há algumas semanas, uma nova campanha do jornal O Globo resumiu em pouco mais de um minuto as transformações no mundo da informação. O comercial para a televisão destaca o caráter interativo e flexível que o jornalismo atual assumiu.

 

Até pouco tempo, apenas os portais de internet se aventuravam a profetizar os benefícios das novas mídias. Ou seja, esta foi a primeira vez que um tradicional jornal “de papel” atribuiu destaque significativo para o conteúdo veiculado em outras plataformas.

 

“Antigamente a notícia esperava o jornal sair para ela poder acontecer. Hoje a notícia anda no tempo do próprio acontecimento (…) O jornal tem que estar no papel, na tela, na sua mão. Tem que estar onde você quiser estar”, decreta a voz otimista do anúncio. Alguém discorda?

 

Confira o anúncio na íntegra:

 

 

Faz poucos meses que o jornal A Notícia, de Joinville, deu nova roupagem ao seu website. A mudança foi radical: se antes o espaço da web apenas reproduzia o material publicado no jornal impresso, agora o Portal AN passou a ter “vida própria”, com conteúdo exclusivo, canais de interatividade com o leitor, além de blogs, espaço para vídeos, galerias de fotos e outras seções.

 

As mudanças não se limitaram à esfera virtual. Na época do antigo site, a equipe responsável pelo conteúdo online se concentrava em uma sala afastada da redação. O trabalho dos repórteres-online ficava restrito a buscar os arquivos no sistema interno do jornal para lançá-los na rede. Não havia comunicação com os outros profissionais do veículo e o trabalho de reportagem praticamente não existia.

 

Após o lançamento do novo site, a editoria online do jornal A Notícia migrou para dentro da redação e passou a contar com quatro repórteres trabalhando exclusivamente para o portal. Agora, todas as pautas são preparadas pensando no jornal impresso e também na factualidade da internet.

 

Esta revolução, é claro, veio acompanhada por uma série de dilemas. “Vale a pena publicar um furo de reportagem instantaneamente na internet e correr o risco de informar a concorrência”, perguntavam-se os profissionais de A Notícia, a exemplo dos jornalistas de outras redações. “Um único repórter pode dar conta de escrever, fotografar e fazer vídeos para a mesma matéria?”, questionavam-se os mais desconfiados.

Pelo bem e pelo mal, as mudanças são significativas e indicam uma nova era para o jornalismo joinvilense. Pela primeira vez na história, a cidade conta com um veículo online atualizado minuto a minuto com informações locais. Pelos corredores de A Notícia, há quem garante que o portal AN é o único website brasileiro a produzir conteúdo instantâneo exclusivamente para sua região.

 

A regra é convergir

outubro 26, 2008

 

No post anterior, vimos que a internet deixou de ser encarada como um “modismo” para assumir o papel renovador do jornalismo atual. Agora, a tendência nos grandes jornais tem sido acompanhar a aceitação da internet e apropriá-la como uma extensão do próprio jornal. Em outras palavras, o jornalismo vive o momento da “convergência” entre as mídias.

 

No recente Simpósio Internacional de Jornalismo Online, organizado nos Estados Unidos, os participantes deixaram o evento com uma certeza: a convergência nas empresas jornalísticas é inevitável. Mudanças à parte, esta conclusão não chega a ser apocalíptica. Por um lado, os grandes jornais realmente terão de se render às ferramentas da web, mas, por outro lado, a própria internet ganha em credibilidade ao ser associada aos jornais mais tradicionais.

 

Porém, esse movimento de convergência ainda está longe de ser dominado pelas empresas de comunicação. Em seu artigo “Convergência não é sinônimo de integração”, publicado no blog Master Digital, Christian Marra trata das dificuldades encontradas pelas empresas jornalísticas enquanto tentam trilhar esse caminho de adaptação. Como o próprio título do artigo sugere, Christian faz uma interessante distinção dos conceito “convergência” e “integração”, normalmente colocados lado a lado nas discussões das medias.

 

O complemento do papel

outubro 26, 2008

 

Quando a internet deixou de engatinhar e passou a ser vista como um veículo de comunicação promissor, o jornalismo acompanhou o entusiasmo e as grandes corporações da informação investiram largas cifras na “novidade”. No Brasil, antes da virada do século, alguns profissionais renomados dos grandes jornais migraram para os portais de internet, atraídos por altos salários e o sentimento de pioneirismo.

 

Repórteres, editores e chefes de reportagem foram contratados a peso de ouro para trabalhar em websites como o Uol e o Terra (antigo Zaz). Mas tanto investimento não se justificou tão cedo. Com um público ainda mínimo se comparado à tiragem dos maiores jornais do País, e o saldo sempre no vermelho, logo o otimismo foi vencido pelo ceticismo e os portais de internet voltaram à estaca zero.

 

Apesar do abalo, quem persistiu na rede não se arrependeu. À medida em que a internet ganhou popularidade, os jornalões passaram a contabilizar uma queda exponencial nas vendas. Para a maioria, o susto veio embalado num deja-vu: depois da televisão, foi o computador quem assumiu o posto de vilão do jornal de papel.

 

Hoje sabemos que a expectativa ocasionada pela “bolha” da internet não foi em vão. Se há dez anos os gráficos de lucro e público ainda formavam uma montanha-russa de altos e baixos, no momento podemos afirmar com segurança que o mercado do jornalismo na internet é o mais novo destino dos profissionais da área. Diante dessa perspectiva, os principais jornais brasileiros aprenderam a encarar a web como uma aliada. Na era multimidiática, a internet deixou de ser inimiga para surgir como um complemento do papel. 

  

Pontapé inicial

outubro 26, 2008

 

O pontapé inicial do Olhar Virtual teve embalo com uma certeza: a inclusão digital e a popularização das novas mídias transformaram a forma de compartilhar informações e, principalmente, tencionaram mudanças significativas no fazer jornalístico.

 

Hoje, as redações dos grandes jornais brasileiros ainda se adaptam ao novo contexto multimidiático. Nesse processo, as velhas máximas do jornalismo são testadas na mesma velocidade com que ocorrem as mudanças. Se a quebra de velhos tabus é gradativa e antigos paradigmas persistem, profissionais antenados às mudanças são unânimes em afirmar que o jornalismo moderno não pode ficar restrito às páginas de jornais.

 

Por se tratar de um momento chave na história da comunicação mundial, a compreensão sobre tais transformações demanda discussões de alto nível e deve ser aberta à participação de quem está diretamente envolvido nesse panorama. O Olhar Virtual, portanto, se propõe a criar um ambiente de reflexão acerca da informação e do jornalismo contemporâneo com base na experiência diária de um repórter.